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A armadilha do financiamento imobiliário no Brasil, o pior do Mundo!

  • Foto do escritor: Eduardo Oliveira
    Eduardo Oliveira
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

No Brasil, o financiamento imobiliário de 30 ou 35 anos é vendido como caminho natural para realizar o “sonho da casa própria”. Porém, a forma como os bancos estruturam esses contratos, principalmente pela Tabela Price, faz com que o cliente pague quase quatro vezes o valor financiado ao longo das décadas.


Na Tabela Price, a parcela é fixa, mas a composição dela é profundamente desfavorável ao cliente:

  • Nos primeiros anos, cerca de 70% da parcela são juros e só 30% são amortização (redução do saldo devedor);

  • Somente depois de muitos anos essa proporção começa a se inverter.

Resultado: você paga durante anos, mas a dívida cai muito pouco.


Vamos entender no exemplo a seguir:


O financiamento de R$ 500.000 em 35 anos

Parâmetros ilustrativos:

  • Valor financiado: R$ 500.000

  • Prazo: 35 anos (420 meses)

  • Sistema: Tabela Price

  • Parcela mensal aproximada: R$ 4.500

  • Parcela anual: R$ 54.000

Tabela ilustrativa – Financiamento de R$ 500.000 em 35 anos (Tabela Price)

Ano

Saldo Devedor Inicial (R$)

Parcela paga no ano (R$)

Juros pagos no ano (R$)

Amortização no ano (R$)

% Amortização

Saldo Devedor Final (R$)

1

500.000

54.000

37.800

16.200

30%

483.800

2

483.800

54.000

37.800

16.200

30%

467.600

3

467.600

54.000

37.800

16.200

30%

451.400

4

451.400

54.000

37.800

16.200

30%

435.200

5

435.200

54.000

37.800

16.200

30%

419.000

6

419.000

54.000

37.800

16.200

30%

402.800

7

402.800

54.000

37.800

16.200

30%

386.600

8

386.600

54.000

37.800

16.200

30%

370.400

9

370.400

54.000

37.800

16.200

30%

354.200

10

354.200

54.000

37.800

16.200

30%

338.000

11

338.000

54.000

35.100

18.900

35%

319.100

12

319.100

54.000

32.400

21.600

40%

297.500

13

297.500

54.000

29.700

24.300

45%

273.200

14

273.200

54.000

27.000

27.000

50%

246.200

15

246.200

54.000

24.300

29.700

55%

216.500

16

216.500

54.000

21.600

32.400

60%

184.100

17

184.100

54.000

18.900

35.100

65%

149.000

18

149.000

54.000

16.200

37.800

70%

111.200

19

111.200

54.000

13.500

40.500

75%

70.700

20

70.700

54.000

10.800

43.200

80%

27.500

21

27.500

54.000

8.100

45.900

85%

0 (aprox.)

22–35

0

~756.000 (total aprox.)

~50.000 (total aprox.)

~706.000 (total aprox.)

~93%

0

(Valores aproximados e didáticos, ilustrando a lógica: muito juros no início, amortização crescente só bem depois.)


O impacto financeiro


  • Em 10 anos:

    • Total pago: cerca de R$ 540.000

    • Saldo devedor ainda em torno de R$ 338.000

    • Ou seja, você já pagou mais do que pegou emprestado, mas ainda deve quase 70% da dívida inicial


  • Em 20 anos:

    • Total pago: cerca de R$ 1.080.000

    • Ainda resta algo próximo de R$ 27.500 para quitar

    • Você já pagou mais de dois imóveis de R$ 500 mil


  • Ao final de 35 anos:

    • Total pago: aproximadamente R$ 1.890.000

    • Para um financiamento de R$ 500.000

    • Quase quatro vezes o valor originalmente tomado


Por que isso é tão perigoso?


Nos primeiros 10 a 15 anos:

  • A maior parte do que você paga vai para juros;

  • Seu patrimônio real no imóvel cresce pouco;

Se você perde renda ou passa por um problema grave e não consegue continuar pagando, o banco pode retomar o imóvel e a maior parte do dinheiro que você pagou, que era juros, se perde para sempre.


Alternativas mais inteligentes


Antes de assumir um financiamento de 35 anos, vale considerar:

  • Juntar uma entrada maior e reduzir o valor a financiar;

  • Buscar prazos menores (10–15 anos, não 35);

  • Morar de aluguel e investir a diferença entre aluguel e prestação por alguns anos;

  • Começar com um imóvel mais barato, compatível com um financiamento menor.


 
 
 

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