Lucro recorde dos bancos, juros altos e a concentração de riqueza no Brasil
- Eduardo Oliveira

- há 2 dias
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Nos últimos anos, os bancos brasileiros têm registrado lucros recordes, mas esse desempenho financeiro vem acompanhado de um custo social cada vez mais evidente: juros abusivos para o consumidor, demissões em massa e um aumento preocupante de adoecimento mental entre os trabalhadores do setor.
Juros entre os mais altos do mundo
Segundo o Banco Central do Brasil, em 2025 as taxas médias anuais praticadas pelos bancos eram:
Cartão de crédito rotativo: 430% ao ano (em alguns casos, ultrapassando 800%);
Cheque especial: 150% a 200% ao ano;
Crédito pessoal: 50% a 100% ao ano;
Esses patamares colocam o Brasil entre os países com maiores spreads bancários do mundo, segundo relatório do Banco Mundial.O lucro dos bancos, portanto, não depende apenas de eficiência, mas também de uma estrutura de crédito que penaliza fortemente o tomador, especialmente os mais vulneráveis.
Demissões e digitalização acelerada
De acordo com o DIEESE, entre 2015 e 2025, o setor bancário brasileiro eliminou cerca de 100 mil postos de trabalho, mesmo com o crescimento do lucro.O Sindicato dos Bancários de São Paulo aponta que, só em 2024, foram fechadas mais de 5 mil vagas no setor, com tendência de continuidade em 2025 devido à digitalização e automação.
Adoecimento mental dos trabalhadores
Pesquisa do Sindicato dos Bancários de São Paulo (2024) revela:
4 em cada 10 bancários relatam sintomas de ansiedade, depressão ou síndrome do pânico;
O número de afastamentos por motivos psiquiátricos cresceu mais de 40% entre 2019 e 2024;
Assédio moral e pressão por metas são citados como principais causas.
Concentração de riqueza: banqueiros no topo do Brasil
O impacto desse modelo vai além dos balanços e das agências. Segundo levantamento da Forbes Brasil e do Bloomberg Billionaires Index, ao analisar as 10 pessoas mais ricas do país, 7 são banqueiros ou têm sua fortuna diretamente ligada ao setor financeiro.Em nenhum outro país do G20 (e entre os 196 países do mundo) a proporção de banqueiros entre os mais ricos é tão alta quanto no Brasil.
Isso mostra que o setor financeiro não apenas lucra mais, mas concentra riqueza de forma extrema, enquanto a maioria da população enfrenta endividamento, desemprego e precarização.
O que esses dados revelam?
O modelo bancário brasileiro é um dos mais lucrativos do mundo, mas esse sucesso é construído sobre:
Juros altos, que endividam famílias e empresas;
Redução de pessoal, com impacto social direto;
Pressão e adoecimento dos trabalhadores;
Concentração de riqueza nas mãos de poucos.
Enquanto os acionistas e donos de bancos figuram no topo da lista dos mais ricos do país, a sociedade paga o preço:
Endividamento recorde (mais de 70% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo a CNC);
Aumento da inadimplência;
Trabalhadores adoecendo e sendo substituídos por máquinas.
Concluindo:
O lucro dos bancos não é, por si só, negativo. O problema está no modelo:
Um sistema que lucra com juros abusivos;
Que demite em massa sob o pretexto da “modernização”;
Que adoece quem trabalha para mantê-lo de pé;
E que concentra riqueza de forma extrema, colocando banqueiros no topo da pirâmide social brasileira como em poucos países do mundo.
Preciso fazer uma pergunta provocativa para a nossa reflexão
A quem serve o Sistema Bancário e Financeiro Brasileiro?
Os dados mostram que, hoje, eles servem principalmente aos acionistas (donos do Capital) e recebedores de Impostos. Com isso,deixam para a sociedade o ônus do endividamento, do desemprego, aumento da desigualdade e do sofrimento psíquico.
Forte abraço e até breve!




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